contato@nossasenhoradecimbres.com.br | (81) 99706 0181 | |  

História das Aparições

Conheça um pouco mais destas aparições através do artigo de Dom Rafael Maria, diplomado para “Postulação para beatificação e canonização” pela Congregação para Causa dos Santos (Cidade do Vaticano) e doutor em Mariologia pela Pontifícia Faculdade Teológica «MARIANUM» (Roma).  Leciona atualmente em um «Curso de Mariologia» via internet, cf. 

Maria é a «Graça»

Maria é a graça criada com uma finalidade específica nos planos de Deus

Em 1936 na localidade do Sítio Guarda (Cimbres), município de Pesqueira, interior do estado de Pernambuco aconteceram algumas aparições da Virgem Maria a duas meninas. Tais mariofanias são desconhecidas por parte dos católicos brasileiros por motivos vários. Nestas supostas aparições, com o nosso olhar de especialista no campo mariológico, detectamos que parece possuir todas das características de veracidade, porém muito se deve estudar. Assinalamos alguns elementos importantes: o representante eclesial, isto é o pároco da época, em nome da Igreja local, procurou fazer um diálogo com a aparição e as videntes (analfabetas), utilizando estratégias que nunca foram realizadas antes em uma mariofania. Ele dialogava em alemão e latim com a visão e as videntes respondiam em português. Outro feito extraordinário é a denominação que a aparição se atribui. Nossa Senhora diz as meninas: «EU SOU A GRAÇA», e deseja ser invocada com o título «DAS GRAÇAS» naquele local. Seria aqui uma imitação das aparições da Medalha Milagrosa? Diríamos: Não. Tudo revela algo novo, dinâmico e teológico. A Virgem Maria aparece com o menino Jesus nos braços e envolta em um nicho com colunas revestidas de pedras preciosas, segundo o relato das videntes.

O nome «Cimbres» de origem francesa que quer dizer: “armação para molde de madeira de arco ou abobada” (ou Cambota), isto é, um nicho? Condiz então com o modo como a Virgem aparece no Sítio Guarda, dentro de nicho.

Interessante é que Cimbres, nome da cidadezinha onde se localiza o Sítio Guarda é de origem portuguesa, onde existe uma cidade do mesmo nome com um santuário de Nossa Senhora da Graça (Sic!).

Um outro detalhe é que, no Brasil recém-descoberto, duas igrejas consideradas as mais antigas, foram dedicadas a Nossa Senhora da Graça: na Bahia datada de 1535 e o Seminário de Olinda de 1551. Portanto, as matrizes da devoção mariana no Brasil é GRAÇA?

Entre as aparições de Paris e as de Cimbres existem diferenças singulares. Lá em Paris, Maria aparece de mãos estendidas, disponível a distribuir graças, aqui no entanto ela tem o menino Jesus nos braços que é a GRAÇA por excelência. É Dele que Maria alcança tudo para nós.

 O que nos interessa aqui é fazer um estudo teológico para se compreender um título tão inusitado que a Virgem maria se atribui no Sítio Guarda: «Eu sou a Graça».

Como sabemos, é salutar sempre uma formação adequada e continuada quando se fala da Virgem Maria, pois em torno da mesma surgem equívocos devocionais que desvirtuam, seja o culto mariano, seja a doutrina. Para isto temos que voltar há dois mil anos no início do cristianismo, à Bíblia. O fundamento bíblico que atesta o que Maria  se pode tomar de Lc 1,26 na saudação angélica, onde o anjo saúda a Virgem com um novo nome «kaire kekarithoméne» (Regozija-te Agraciada). O anjo substitui o nome próprio de “Maria” com um outro, «Agraciada/Graça». Dai por diante, ela será chamada «Graça». Maria é a “graça criada” com uma finalidade específica nos planos de Deus, sendo assim instrumento ativo na obra da salvação (cf. Lumen Gentium 56), quando gera e dá a luz “o Filho do Altíssimo” (cf. Lc 1,35). Maria, é “graça criada” e não a “graça incriada”, pois a graça incriada é Deus mesmo. Estejamos sempre atentos a esta diferença!!!

A saudação angélica é uma programação de vida para Maria que não tem origem naquele momento, mas já existia na eternidade de Deus.

Como vimos acima, o nome da Virgem de Nazaré será de hoje em diante «Graça/Imaculada». É como se uma senhora se apresentasse e lhe perguntasse seu nome. “Como se chama, senhora?” E ela me responderia aquilo que é, “Eu sou a Graça” ou, “eu sou a Antônia” ou, “eu sou a Rosalva”, etc. Portanto, o título que o anjo Gabriel dá à Virgem de Nazaré, revela o que é, e o que faz, distribuir/interceder aquilo que recebeu de Deus, a Graça ou as Graças, em uma só palavra: Jesus Cristo. A nossa reflexão até aqui não é suficiente, se faz necessário algo mais: a força da Palavra de Deus. Ora, tal função de intercessora e distribuidora das graças do Senhor, é um eco do que encontramos na 1Pd 4,10: “Cada um viva segundo a graça recebida, colocando-a ao serviço dos outros, como bons administradores de uma multiforme graça de Deus”.

A natureza humana de Maria, cumulada pela Graça de Deus, não exerce uma função para si mas para o serviço e crescimento da Igreja, como nos indica Mt 10,8: “Gratuitamente recebestes, gratuitamente dai”. Com esta gratuidade, buscamos ainda com o testemunho da Palavra divina o que nas atitudes de Maria nos revelam o mistério do seu serviço a favor da humanidade. Na sua visita a Isabel (cf. Lc 1,39-56), onde cumulada pela Graça/Espírito Santo, vai distribuí-la a sua parente necessitada e Lucas afirma depois da saudação de Maria a Isabel, «…Isabel ficou repleta do Espirito Santo» (Lc 1,39-41). A continuidade deste serviço no amor é nas Bodas de Caná que Maria mais uma vez revela o seu papel de “Agraciada/Intercessora”, consola os necessitados da festa do Esposo/Jesus (cf. Jo 2,1-11), colaborando assim para aumento da fé no Senhor (cf. Jo 2,11).

Aprendamos com Maria a distribuir as graças que recebemos!

(Disponível em https://pt.zenit.org/articles/maria-e-a-graca/)