contato@nossasenhoradecimbres.com.br | (81) 99706 0181 | |  

Maria da Conceição: A mais humilde das videntes

Maria da Conceição era uma pobre mocinha camponesa natural da cidade de Arcoverde, no sertão pernambucano, nascida em 23 de fevereiro de 1920. No dia 06 de agosto de 1936, ela morava, de favor, na casa da família Teixeira, situada na Vila de Cimbres, cidade de Pesqueira. Seus pais legítimos não tinham condições de alimentá-la. Ela dividia as tarefas domesticas com Maria da Luz, um pouco mais nova que ela e filha do casal que a recebera. Foi nesta data que se deram as primeiras aparições de Nossa Senhora das Graças as duas meninas.

Segundo relatos de parentes de Maria da Conceição, recolhidos na cidade de Arcoverde, onde ela voltou a morar quando as perseguições a ela e Maria da Luz por parte dos que não acreditavam na veracidade das aparições se tornaram insuportáveis, dão conta que ela teria se casado, no entanto teve um casamento muito sofrido que só durou um mês. O marido a devolveu dizendo que ela não servia para ser esposa por recusar-se a consumar o casamento.

Maria da ConceiçãoRelatam ainda  que a jovem vidente também desejava  seguir para o convento, porém  não teria sido aceita nas ordens  pelo fato de ser negra e muito pobre. No entanto, não há relatos de nenhum dos dois padres envolvidos nas investigações das aparições que validem que em algum momento Maria da Conceição manifestou este desejo. Outro fato é que na última aparição de Nossa Senhora em Cimbres, no dia 30 de agosto de 1936,  Maria da Luz já relata não mais conseguir ver a Santa, apenas um “vulto”.

Se Maria da Conceição tivesse realmente desejado entrar para o convento, provavelmente teria enfrentado ainda mais dificuldades do que a Irmã Adélia pelo fato de além de muito pobre, ainda ser mulata.

Durante todo o tempo da Colônia os que possuíam, segundo o conceito da época,  “sangue sujo”, quer dizer, os que eram negros, indígenas ou mestiços, não podiam ser padres nem religiosos. Argumentava-se que eles jamais conseguiriam viver a castidade. Em 1928 a Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado foi a primeira a abrir a porta de seus conventos a mulheres negras . Houve, porém, a divisão clara entre as oblatas, irmãs negras ou de pouca instrução e as coristas, brancas e com instrução. Até o hábito era diferente, azul e branco para as coristas e preto para a oblatas. A missão destas que constituíam quase a metade da Congregação, era de servir às coristas. Por quarenta anos foi assim, até que se abriu a janela do aggiornamento do Concílio Vaticano II (1962-1965). Aboliram-se as divisões de tarefas, umas  nos trabalhos manuais e outras na vida apostólica. Como comentou Dom Odilon, bispo de Santos: ”Acabou-se a escravidão na Congregação

Apenas  em 1928, por tanto muito recente a época das aparições, aconteceu de uma ordem no Brasil aceitar freiras negras, mesmo assim desempenhando papéis considerados de menor importância.

Maria da Conceição, em sua pobreza, possuía apenas um bem material na vida: Uma imagem de Nossa Senhora das Graças,  presenteada por Irmã Adélia, quando na década de 80 retornou a Cimbres, quebrando o silêncio sobre as aparições, sendo portadora de um atestado de câncer e de uma expectativa de vida de apenas três meses. Diante do quadro, segundo contou Dona Júlia, irmã de Maria da Conceição, Irmã Adélia estendeu a sua visita de Cimbres até Arcoverde para despedir-se da amiga. Sabendo do diagnóstico, Conceição convida Irmã Adélia à oração e passam horas dentro de um quarto, uma intercedendo pela outra. Irmã Adélia voltou curada e viveu mais trinta anos após este dia.

Conceição faleceu em 17 de Janeiro de 1999.  Pouco tempo depois, a imagem de Nossa Senhora das Graças citada no parágrafo acima, quebrou-se em diversos pedaços e fora guardada em uma caixinha de sapatos por mais de doze anos.  Em 23 de junho de 2014, após saber da existência da imagem o  Padre Samuel Briano, o Irmão Cristiano de Maria Imaculada, a devota Andressa Ligiane e a escritora Ana Lígia, conseguiram a guarda dos pedacinhos da imagem que foi encaminhada para limpeza e restauração.

Após oito meses de muito trabalho, a imagem ficou de pé e restaurada. A restauração foi feita por Mirian, de forma gratuita, a imagem recebeu um manto de renda renascença oferecido por Noemy, uma coroa dado por Paula Perini, um oratório doado por Soraya e uma bela pintura profissional presenteada por Nilo, Edgeusa e José Augusto. Foi desta forma, de doação em doação, que a imagem de Nossa Senhora das Graças que foi encontrada em meio a dejetos de ratos e baratas, hoje recebe centenas de  pedidos de orações. A imagem  tem quarenta e dois centímetros de altura e já está tombada como patrimônio do Memorial das Aparições de Nossa Senhora das Graças. Diversos Sacerdotes e devotos do Brasil e exterior tem enviado pedidos para que seus nomes sejam colocados aos pés da imagem. Você também pode fazer o seu pedido por meio do e-mail contato@nossasenhoradecimbres.com.br.