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Nossa Senhora das Graças de Cimbres (Aguardando Reconhecimento)

As aparições de Nossa Senhora em Cimbres, que aguardam aprovação do Vaticano, despertam curiosidade e surpresa. São repletas de particularidades e sinais teológicos.  Nos relatos deixados pelo Padre Kherle, consta que   Maria apresentou-se como  “A mãe do céu”  e  “ a Graça”.

 

(..)“Wer bist du?” (quem é você?)

– “A Mãe do Céu”.

– Qual a invocação desta aparição?

– Das Graças.(…)

 

Em outro trecho, o Padre pede para que Maria da Luz descreva a aparição e ela diz:

“(…)- Vejo uma bela Senhora, cujo vestido é creme, quase como vosso capote. O manto é azul celeste, pendendo do pescoço, onde está seguro por uma fivela, com pedras preciosas… Num braço está a criança. 

– Em que braço? No direito ou no esquerdo? 

A menina não sabia distinguir o braço direito do esquerdo. Fez uma vira-volta com o corpo e mostrou-me o braço esquerdo. 

“Ela, como o menino, traz uma coroa de ouro na cabeça”, disse-me a jovem. 

– E a outra mão? – perguntei. 

Fez então uma nova vira-volta (apontando-me) mostrando-me o braço direito estendido para baixo. 

“A criancinha enlaça o pescoço da mãe com o bracinho direito”, disse ela, dando uma vira-volta e apontando o braço. A senhora tem na cinta uma fita da mesma fazenda e da mesma cor que a do vestido. Vejo somente um dos pés. 

– Qual deles? – perguntei. 

Ela mostrou o pé direito, fazendo outra vira-volta. 

“Atrás da Senhora vê-se um bonito oratório com duas torres fechadas. O oratório, que tem a forma de uma casinha, tem pedras preciosas nas suas torres”(…)  (Diário do Padre José Kherle, Arquivo provincial das Damas Cristãs. Recife-Pernambuco).

( Imagem feita sob nossa encomenda e orientação de sacerdotes, seguindo o que descreve as videntes de Cimbres).

 

Como podemos perceber, as cores das vestimentas são diferentes das demais aparições de Maria com esta invocação “Nossa Senhora das Graças”  pelo mundo e também o fato de Nossa Senhora ter aparecido em Cimbres com o menino Jesus nos braços e não com as mãos estendidas.

O que muitos não sabem é que esta aparição na qual as meninas descrevem Maria com o menino Jesus nos braços e todos os outros detalhes,  não foi a única, mas sim a narrada no texto publicado no anuário Alemão e que ganhou mais notoriedade. Ao todo foram cerca de 30 aparições em Cimbres. Na maioria delas, as mensagens eram as mesmas: Alertar sobre o perigo do comunismo, pedir orações e penitências. Também foi assim nas aparições de Guadalupe, quando Maria aparecia com frequência ao índio Juanito, sendo que a igreja analisou e enfatizou  apenas as aparições que traziam mensagens para a sociedade como um todo.

Nos escritos do Padre, podemos encontrar a narração da aparição de 31 de agosto de 1936, quando Maria desce do céu com as mãos estendidas e não mais com o seu filho nos braços. O Padre, pediu então para que Maria da Luz fizesse um desenho de como a santa se apresentava. A menina fez e é o que segue abaixo:

(Fonte:Aqui o céu encontra-se com a terra. Ione Paiva. Edição 3. Anexos.)

Por tanto, como podemos conferir, em sua última  aparição em Cimbres, conhecida como a aparição solene, ocorrida em 30 de agosto de 1936, a imagem da Santa é idêntica a imagem conhecida de Nossa Senhora das Graças em todo o mundo. No entanto, vamos analisar o que nos diz esta aparição na sua apresentação primeira, com o menino Jesus nos braço.

A descrição dada por Maria da Luz e Maria da Conceição quanto a imagem de Maria com a coroa e com o menino se encaixa perfeitamente com o que vemos em  pinturas antigas e raríssimas de Nossa Senhora da Graça ( ou das Graças). A maioria destas pinturas só está disponível na Europa. Há ainda dois casos onde encontramos estas imagens no Brasil, ambas em igrejas do início da colonização do país e  jamais visitadas pelas meninas videntes.

As quatro imagens abaixo são de pinturas e santinhos distribuídos na Europa, principalmente na Itália. Nestas imagens referentes a Nossa Senhora da Graça ( no século XV e XVI, na Europa, não se dizia “das Graças” e sim “da Graça”), percebe-se que não há apenas semelhanças com a descrição dada em Cimbres, mas sim identicidade.  

    

*Fonte: Arquivos pessoais da autora.

Uma das igrejas dedicadas a Nossa Senhora da Graça citada no texto de Dom Rafael está localizada no  bairro da Graça que  é um dos mais antigos de Salvador, Bahia, e está localizado no local inicialmente conhecido como Vila Velha. A sua localização no alto de um morro tinha uma função estratégica no período da colonização do Brasil, possibilitando uma vista panorâmica do mar que ajudava a prevenir possíveis ataques de outros invasores.

É no bairro da Graça que está situada a primeira igreja de Salvador e uma das primeiras do Brasil, a Igreja de Nossa Senhora da Graça.

Construída por ordem de Catarina Paraguaçu, mulher de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, e que abriga a Ermida de Nossa Senhora da Graça. Localizada próxima ao local onde residia o casal Paraguaçu, a igreja foi fundada por volta do ano de 1535, e é também o santuário mariano mais antigo do Brasil e também o mais antigo que se tem noticia na América portuguesa. A Igreja é rica em elementos históricos. Estão nela os restos mortais de Catarina Paraguaçu e a imagem no altar-mor é a mesma encontrada por Caramuru e Paraguaçu, cuja visão milagrosa é descrita em tela da sacristia e no teto da nave. A fonte de Nossa Senhora da Graça, recentemente reformada, é outro atrativo deste bairro.

                                            

(Imagem da Visão de Catarina Paraguaçu localizada tanto na sacristia da igreja quanto em sua nave. Foto do altar com a imagem original encontrada em 1534.)

Segundo relatos, esta aparição prodigiosa da Virgem teria ocorrido quando Paraguaçu, por ocasião de um naufrágio de uma embarcação Espanhola no litoral de Beipeba, interior do estado da Bahia, passou a sonhar constantemente com uma Senhora que caminhava pela areia com um filhinho nos braços.

Por três dias os índios buscaram a tal senhora pensando ser uma náufraga. No terceiro dia um índio encontrou uma imagem na beira do Rio e levou até Paraguaçu que, de imediato reconheceu-a como sendo a senhora dos seus sonhos.

A índia então mandou erguer uma igreja em honra da imagem que ficou conhecida como Nossa Senhora da Graça (ou das Graças).

Não é difícil notarmos pontos importantes que coincidem entre esta suposta aparição ocorrida na Bahia e a ocorrida 400 anos depois no interior de Pernambuco.

  • Tanto Paraguaçu quanto as duas videntes possuiam ancestrais indígenas ( o local da aparição em Cimbres fica dentro de uma reserva indígena do povo Xukuru do Ororubá).
  • Em ambas as ocasiões, a Santa se apresenta com a mesma aparência, com o menino Jesus no braço e recebe a mesma invocação: Nossa Senhora da Graça.
  • A aparição à índia Paraguaçu está muito ligada ao elemento água, pois a imagem é encontrada na praia e surge uma fonte na praça onde foi construida a igreja. Em Cimbres o sinal deixado também é água, só que desta vez saindo da pedra.

“(…)- Por que não dais um sinal visível, para que o mundo possa ver que sois a Mãe de Deus? 

– Já o dei. 

– Qual é o sinal? 

– A água que está correndo em baixo. 

– Para que serve esta água? 

– Para remédio. 

– Para todas as doenças? 

– Sim, mas para quem tem fé.(…)” ( Diário do Padre José Kherle, Arquivo Provincial das Damas Cristãs)

A imagem abaixo corresponde ao altar dedicado a Nossa Senhora Da Graça no Seminário Episcopal de Recife e Olinda. O Seminário, do  ano de 1551 teve seu estatuto lavrado apenas em 1798 e é neste documento que podemos observar muito claramente a quem ele era dedicado.

                            

       (Altar do Seminário de Olinda-PE)                   ( Estatuto do Seminário de Olinda-PE)

O interessante é observar que tanto a imagem localizada no altar do Seminário de Olinda quanto da visão da índia Paraguaçu correspondem com incrível semelhanças à  descrição relatada pelas meninas videntes de Cimbres.

O mais interessante ainda é que tanto na época das aparições a Catarina Paraguaçu quanto na Fundação do Seminário de Olinda, Nossa Senhora da Graça não era uma devoção “popular” no Brasil. Aliás, ela só vem a ser uma devoção popular no mundo inteiro após aparecer a Santa Catarina de Laboré, na França,  já em  1830 e com a aparência que relatamos acima: Mãos estendidas, sem coroa e sem o menino Jesus. As aparições na França se tornaram muito conhecidas por conta da distribuição das medalhas cunhadas por ordem da própria Nossa Senhora e que são conhecidas até hoje como “Medalhas milagrosas”.

Raciocinando friamente, se as aparições em Cimbres fossem uma invenção de duas pré- adolescentes, o esperado seria então que a descrição batesse com a única imagem divulgada amplamente de  Nossa Senhora das Graças. Como justificar então que as meninas relatassem uma aparência para a Santa que era verdadeira, porem extremamente rara? Não há explicações naturais para isto.

Em resumo, o que podemos concluir é que Nossa Senhora aparece para Maria da Luz e Maria da Conceição  com a mesma aparência que se mostra no inicio de 1500 para Catarina Paraguaçu e não da forma mais “famosa”, como seria o esperado. Aliás, temos aí outra coincidência: Duas videntes da Senhora das Graças com o mesmo nome: Catarina Paraguaçu e Catarina de Laboré.

É como se Nossa Senhora tivesse deixado dezenas de pistas para comprovação posterior da veracidade daqueles acontecimentos. São pequenos detalhes como a sua aparência, as respostas em latim e alemão, o sinal da água…Pistas que Maria sabia que um dia seriam estudadas e comprovadas.

– Se sois a Mãe de Deus e a criança é o Menino Jesus, manda que Ele nos dê a benção. 

Neste momento, as duas pobres camponesas, admiradas e transportadas de júbilo, exclamaram: “Ele já sabe dar a benção também!” Fizeram mais uma vez o sinal da cruz. 

Uma das meninas exclamou ainda: “Agora vimos a outra mãozinha do menino. Até agora ela estava enlaçada ao pescoço da Mamãe. Ele estende para o senhor os dois bracinhos.”  (Diário do Padre José Kherle. Fonte: Arquivo Provincial das Damas Cristãs- Recife)