Você já teve aquela sensação incômoda de que, mesmo pagando tudo em dia, tem algo drenando o caixa da sua empresa sem que você perceba? Para muitos donos de negócios no Simples Nacional, essa não é apenas uma impressão; é uma realidade técnica. Existe um mito de que o Simples é uma “caixa fechada” onde você paga uma guia única e está tudo resolvido. Mas a verdade é que, dentro dessa guia (o DAS), existem impostos que você pode estar pagando em dobro. O grande vilão — ou a grande oportunidade — aqui se chama tributação monofásica de PIS e COFINS. Na prática, o governo escolhe alguns produtos para que a indústria ou o importador pague o imposto por toda a cadeia. Ou seja, quando a mercadoria chega na prateleira do seu comércio, o PIS e o COFINS já foram quitados lá atrás. Se você vende esses itens e não avisa o sistema do Simples Nacional que eles são “monofásicos”, você acaba pagando esses dois impostos novamente sobre o seu faturamento bruto. É um erro clássico de configuração fiscal que custa caro. O cenário real: Onde o dinheiro está escondido? Imagine uma pequena autopeças ou uma perfumaria. Esses são os setores onde mais encontramos créditos “esquecidos”. Vamos pegar o exemplo de um comércio de bebidas. O dono vende cervejas e refrigerantes, produtos que são tipicamente monofásicos. Se essa empresa fatura R$ 100 mil por mês e não faz a segregação correta das receitas, ela está pagando cerca de 2% a 3% a mais de imposto do que deveria sobre essa fatia de produtos. Em um ano, estamos falando de R$ 24 mil a R$ 36 mil jogados fora. Multiplique isso pelos últimos cinco anos (o período que a lei permite recuperar) e você terá o valor de um carro zero parado no cofre do governo, sem render nada para o seu negócio. Outros setores que entram forte nessa lista: Farmácias e drogarias; Pet shops (produtos veterinários); Lojas de pneus e baterias; Bares e restaurantes. Como funciona o resgate na prática? Diferente de processos judiciais demorados, a recuperação de impostos para o Simples Nacional costuma ser administrativa.
Contabilidade Fiscal: O que é e qual a importância para empresas
O trabalho é cirúrgico: revisamos item por item o que foi vendido nos últimos 60 meses, cruzando o NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) de cada produto com a legislação da época. Depois de identificar o que foi pago a mais, retificamos as declarações (PGDAS) e solicitamos o pedido de restituição via portal do e-CAC. O melhor de tudo? O dinheiro cai diretamente na conta corrente da empresa, geralmente em um prazo de 60 dias após o pedido. Não é “crédito para abater”, é dinheiro no caixa para capital de giro, reforma ou investimento. Além do operacional: A visão estratégica Muita gente me pergunta: “Mas isso não vai me trazer uma fiscalização?”. Olha, a Receita Federal trabalha com dados. Se você está retificando informações com base na lei e com documentos comprobatórios (as notas fiscais de venda), você está apenas exercendo um direito. Compliance fiscal não é apenas pagar o que deve, é também não pagar o que não é devido.